Sou mais uma gota de chuva neste imenso espaço.Não pretendo mais que descarregar um pouco da minha memória que tem gravado algumas vivências nas paragens leste, Angola, com a CC3485, e outras coisas.....e loisas.

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Mar 09

 

 

 

 

Quando cheguei a esta maravilhosa cidade em 05/02/72, pelas 9,00 horas, mais ou menos, foram as palavras que me sairam da boca;"BOM DIA LUANDA", longe de pensar que haveria anos depois um "Bom Dia Saigão" que adorei, principalmente pela canção de Louis Armstrong "WHAT A WONDERFUL WORLD". Naquela manhã aquela terra marcou-me logo que saímos do aeroporto e entramos nos camiões, como bestas, para nos levar ao campo do Grafanil, uma área militar onde se concentrava quase todos os militares que seriam despachados como carne para canhão para diversos pontos desta Angola maravilhosa. Nunca esqueço aquela terra quente, avermelhada, o sol tropical, aquele zumbido duns insectos que nunca tinha ouvido até então, a azáfama de uma grande metrópole e que logo entendi porque eramos do "Puto". Fiquei entusiasmado com esta entrada em Luanda, e decepcionado com a entrada no Grafanil; veio-me à memória algumas passagens do livro "A Promessa" de Roman Gary; fez-me ver que entravamos num armazem de "produto para a guerra". Era chocante as condições das enormes tendas, onde se dormia no chão, por vezes não havia água para tomar banho, nos WC era quase impossível  fazer as necessidades, tamanho era o amontoado de merda por todos os lados. Apesar das vicissitudes deste primeiro dia, após arrumar-mos a mala  com nossos parcos haveres, e sempre com receio de ser-mos roubados, o que era a coisa mais fácil do mundo, o que mais me chocou foi quando fui para a baixa de Luanda, no largo da Mutamba onde depois de ter jantado no restaurante "O Minhoto", perguntei a um "homem branco" como eu" onde ficava o bairro Dr. Silva Tavares, lá para os lados da Cuca; respondeu-me essa besta em tom de desprezo e malcriado:-Vai-te foder militar!!achas-me com cara de polícia?ide p'ro Puto e deixai-nos em paz!?!? Fiquei de rastos.Ia a passar um taxi e chamei. Contei ao taxista o que se tinha passado, e ele que era ex-militar e optou por ficar em Luanda disse-me que não esperasse ajuda dos brancos residentes  à anos, pois já tinha passado pelo mesmo. Conclusão deste primeiro dia: este taxista, que era natural de Viseu, pagou-me uma cerveja, levou-me ao destino, desejou-me muita sorte e não me cobrou nada! Bem haja este homem que compreendia os motivos fúteis de estar-mos naquela terra. Este foi um dos episódios, apesar de triste, que passei no primeiro dia na bonita Luanda e que apenas serve para reflecção. Mesmo assim, Bons Dias Luanda!

publicado por paragemleste às 23:46
sinto-me: o.k.

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