Sou mais uma gota de chuva neste imenso espaço.Não pretendo mais que descarregar um pouco da minha memória que tem gravado algumas vivências nas paragens leste, Angola, com a CC3485, e outras coisas.....e loisas.

20
Mai 09

Naquela tarde, não me lembro porquê,  fui chamado ao posto civil de assistência sanitária que se situava fora do arame farpado. A principal função deste posto, a cargo de um técnico de saúde, era controlar as situações de lepra na zona, assim como fazer a devida terapia desta doença, pois como enfermaria nada tinha apesar das boas condições. Toda a população era tratada pelos enfermeiros militares, que se empenharam, e ninguem imagina como e com que sacrifício, para que nada faltasse em cuidados de saúde às populações. Estes enfermeiros agiram anónimamente e nunca foram reconhecidos, talvez por estarem acima de qualquer comando, pois na verdade digo que eram os únicos militares de quem a população, toda,  nutria maior simpatia. Naquele posto de socorros que no meio daquela selva era um "cinco estrelas", fazia-mos pequenas cirurgias, partos, tratava-mos de leprosos......enfim, para os enfermeiros do A.Chicapa cada dia era um desafio. Foi nessa tarde quente, depois de tratar alguém, que ouvi gemidos de dor vindos daquela torre que sustentava o depósito da água. Aproximei-me e espreitei por entre umas friestas da porta  queimada pelo sol e, no mesmo instante, recuei apavorado!!!! não queria acreditar no que via. Queria ter a certeza e voltei a espreitar. Era verdade, ali à minha frente, um homem já de idade avançada, reconheci que era da aldeia de Samutxima, estava a ser TORTURADO por um homem, mestiço, e ao que vim a saber elemento da D.G.S., antiga pide. Não sei se foi por medo, ingenuidade, sei lá, hoje sei que me acobardei, pois deveria avisar algum superior no quartel e talvez se evitasse o sofrimento daquele homem.

      Dia seguinte. Foi neste dia que tive a certeza da pouca certeza que tinha sobre a guerra do "ultramar"; neste dia entendi como as populações viviam ao lado do medo e o terror pairava sobre as suas cabeças; como????? nesse dia, como habitualmente, atendia os doentes e tratava dos feridos, e para meu espanto reparo que no meio daquela gente estava o homem-torturado acompanhado pelo filho que o trouxe na "kinga", pois este herói não podia andar!! Quando chegou a vez dele mandei entrar e perguntei do que se queixava:

-Enfermeiro, pai caiu quando dormia e espetou pau no pé!? bom, se eu não visse até acreditava:

-Olha lá, espetou em quatro sítios e cheira a queimado??? disparei.

- Ah, ele tinha fogueira junto à cama. Desculpou-se o filho já meio atrapalhado, pois o velhote não dizia nada.

Passei dos "carretos"e ataquei:- Oh meu caralho, porque não dizes a verdade? tu pensas que sou matumbo?

-Estou a dizer verdade sôr enfermeiro; pai caiu e espetou pau no pé.

Não resisti e abri o jogo:- Ouve uma coisa sua besta quadrada, eu vi o que fizeram ao teu pai, e estes buracos na sola do pé foram feitos pelo mestiço com o pau em brasa, foi ou não foi!?!?

-Enfermeiro, eu ter medo de contar porque homem diz que mata toda a minha família!!!! eu não queria acreditar. Na realidade fiquei entre a espada e a parede e com dó do rapaz.

-Porque fizeram isto ao teu pai? perguntei.

-Disseram que ele ajudava MPLA., respondeu-me.

-E ajuda?não precisas de ter medo, e admiro teu pai, podes dizer a verdade.

-Não enfermeiro, ele já é "katxa-katxa" (velho), não pode fazer nada.

Depois de contar outras peripécias, após ter cativado a minha confiança, eu disse-lhe que iria contar ao capitão. Disse ao Diniz, por direito, e passado pouco tempo o capitão chamou-me para que eu contasse o que se tinha passado. Recordo-me desta frase do capitão "Este gajo anda a brincar nas nossas barbas!". Passado pouco tempo, o mestiço, que era o administrador civil destacado para  o Alto Chicapa desapareceu.

"Não há guerras limpas, mas tambem não há paz neste mundo de hipócrisia!!!!!!!!!!!!!!!!

 

Vou procurar contar coisas mais agradáveis.

 

  Manuel Carvalho

 

 

publicado por paragemleste às 12:26
sinto-me: Com uma gana......

09
Abr 09

Continuação de “Retalhos do Alto Chicapa”

Após aquele episódio com a morte da mulher do G.E. regressamos ao Alto Chicapa, onde deixamos, a pedido do viúvo, e numa cubata, a falecida para seguir as  tradições próprias daquele povo.

            Os dias passavam no habitual ritmo de quem espera que os dias passem depressa, pois a ansiedade de sair dali  era grande, não por saudade ou receio do perigo que nos espreitava, nem pelo isolamento a que fomos submetidos ou temer conflitos com aquele povo maravilhoso e guerreiro, (os G.E`s eram bons no mato), mas simplesmente pela rotina diária e a arrogância de alguns militares que quiseram manifestar um estado de falsa altivez, pois achavam-se nas “sete quintas” e não tinham coragem de dialogarem com alguns militares que em termos hierárquicos estavam abaixo mas com um nível cultural superior. Pois nestes dias, eu, nos meus afazeres diários que não passavam  de atender na enfermaria militares e população, ou fazer psico-social, fui surpreendido com o aparecimento do G.E., num estado anormal a que ele dizia que era “fraqueza. Durante uma semana tratei-o de forma a que pudesse recuperar, mas para  espanto meu via aquele rapaz a mingar a cada dia, pois disse-me ele que não conseguia comer nada de nada!!! Provei-o ao levá-lo comigo ao refeitório e pedi ao Luís cozinheiro que lhe desse de comer o que ele quisesse: nada, aquele homem não conseguia comer. Entretanto e no caminho para a enfermaria fez-se luz da estória dos familiares  que lhe faziam feitiço se não pagasse a mulher!?. Perguntei:-olha cá Pa

checo, (era o nome dele) tu pagas-te a mulher aos pais dela? Não paguei tudo não, me falta pagar com mais dois porcos, dois cabras e seis cafuncos (galinhas), e eu inda não ter bicho todo, e feiticeiro do Cassai é forte!! Não queria acreditar! …ò meu grande burro, tu não entendes  que é falso o que o feiticeiro faz??? Isso não existe Pacheco, só te querem enganar!! Não consegui convence-lo. Apresentei o assunto ao meu chefe,  o grande Diniz, dizendo que era preciso enfrentar o feiticeiro na presença do G.E.

-Ò Carvalho vai tu porque já estás habituado com os matumbos! Disse-me o Luís com a anuência do Vinhas.

-Pronto Carvalho, vou falar com o comandante e vais amanhã ao António Cabula com o G.E. (A.Cabula era o quimbo onde estava o feiticeiro e residia os familiares da falecida). Fomos todos num UNIMOG, eu o Pacheco e a segurança que era da etnia quioca. Cheguei ao quimbo e disse ao soba que precisava de falar com toda a aldeia: era bastante gente, e perguntei ao soba quem era o feiticeiro do Cassai;notei alguma agitação naquela gente, mas lá me apontaram um homenzinho, velho, magro de meter pena e com uns andrajos sobre os ombros, seus olhos pareciam estar distantes, era este o feiticeiro?! Ao meu lado estava o G.E. que tremia de pavor: perguntei ao feiticeiro se conhecia  o Pacheco e ele disse que não:-Mas tu deitas-te feitiço no homem? Negou. Eu tinha que convencer perante aquela população e à frente do G.E. que ele estava a enganar.Virei-me para o homenzinho e disse-lhe em voz alta:- eu sei que familiares da mulher que morreu mandaram fazer feitiço, e isso é muito mau para ti!! o remédio do branco é mais forte, e quero que tires o feitiço do Pacheco, senão vais no administrador!

:-Não, o Pacheco não tem feitiço.Diz-me o homenzinho que me metia pena.

No regresso ao aquartelamento, todos em silêncio, reparava que o G.E. estava mais calmo mas ainda a tremer como “varas verdes”. Quando chegamos convidei o rapaz a ir comer qualquer coisa comigo na cantina. Fiquei espantado!!!! Pedi meio “casqueiro” com chouriço e uma cerveja para ele, e simplesmente engoliu tudo num instante, e diz-me ele que ainda tinha fome; mandei repetir a dose à qual fez o mesmo. Pensei, este gajo ou deve estar curado ou então virou predador de pão com chouriço!? Mas é verdade, vi alguns dias depois que era o mesmo homem G.E. pronto a ir para o mato.

COM UM GRANDE ABRAÇO DO CARVALHO A TODOS OS RAPAZES QUE AJUDARAM NESTE CASO.

 

publicado por paragemleste às 22:33

08
Abr 09

Busquei na "arca da velha" algo que talvez pudesse interressar, sem qualquer ficção ou "floridos" literários, mais uma "Coisas" da nossa passagem pelo leste de Angola. Escrevi algumas notas no Alto Chicapa daquilo que presenciei, bom ou mau, bonito ou feio e, na pasta desses apontamentos, já com as folhas amareladas e a caligrafia destoada com o tempo, encontrei algo, que já não lia à trinta e tal anos, estória essa que se localiza concretamente no círculo de aldeias em redor do Alto Chicapa. Fizemos psico-social que envolvia dar assistência a doentes, ensinar fundamentos sobre higiene, desmotivar as ideias tradicionais que os nativos tinham e que adquiriram ao longo de gerações, e aqui acho que errei ao tentar interferir nos modos desse maravilhoso povo Tchoqwé, descendentes da rainha Luegi. Hoje assim penso, mas na época apenas tinha intenção de curar as imensas infecções e as mais diversas maleitas que  nos apareciam , a nós enfermeiros, fosse no posto de socorro ou nas aldeias, e que era resultado das mézinhas do feiticeiro. Que me recorde visitei imensas vezes António Cabula, Samutxima, Samunge, Muatxiteca, Nandonge, Cambatxilonda, Muatxiaba etc....,  sempre com a paciência dos condutores que nos levavam a esses quimbos, como o Caparica, Esteves, João, Inglês, Rino, o Braga........enfim , todos aqueles amigos da ferrugem.

  Mas a estória que encontrei nos meus apontamentos começa assim:

-Fui chamado, já noite, para assistir um parto numa cubata no quimbo junto ao arame farpado e ao lado da casa do administrador civil:- Carvalho, vai aqui com o G.E. (grupos especiais recrutados nas aldeias) vêr o que se passa com a mulher dele que está a parir. Pediu-me o Diniz.

Peguei na bolsa de enfermeiro e lá fui até à cubata, que estava cheia de mulheres, e junto da rapariga estava uma katxa na katxa (mulher velha). Pedi para sair toda aquela amalgama de gente e, quando me preparo para trabalho de parto, de lanterna na mão porque não havia electricidade,  reparo fora da vagina um pequeno braço, já arroxado, o que após alguns procedimentos não tive dúvidas que quem havia de nascer estava sem vida. Chamei o G.E e disse-lhe:-Olha, a criança não pode nascer porque está morta, agora vamos tentar salvar a tua mulher!?

O que fazer? bonito serviço áquela hora da noite no meio da selva. Dei conhecimento ao Diniz que por sua vez transmitiu ao capitão. Impossível evacuar daquele fim-de-mundo.

-Tenta aguentá-la até amanhã de manhã e depois vai para o posto do Cacolo (90 km. de picada); disse-me o Diniz.

-Aguentá-la como Diniz?? Não temos oxigénio, só se a puser a soro e injecto-lhe vitamina K porque ela está com uma grande hemorragia!!! dito e feito. Aguentei a rapariga até o sol raiar e, depois dos preparativos numa Berliet, como instalá-la, manter o soro e segurança militar, lá arrancamos, mas transportar uma doente numa estrada, fraca que seja, não é como transportar  numa picada em pleno mato selvagem, é simplesmente um pesadelo, mesmo assim ía aguentando o soro. A poucos km do Cambatxilonda a mulher não aguentou e morreu. - G.E. a tua mulher morreu, disse-lhe.

O rapaz entra em prantos, mas entretanto chegamos ao quimbo de Cambatxilonda. Ficamos por ali. Descarregamos a mulher porque a Berliet seguia para o Cacolo,  e o G.E. não parava de chorar. Eu,  e o Vinhas que estava nesse destacamento, tentamos consolar o G.E.

-Ó pá não chores, a tua mulher não conseguia sobreviver, amanhã tens outra mulher!?

-Não é isso mê infermero, stou triste porque mulher mureu e eu inda nao pagar mulher, e os familiares pôr feitiço!! justificou o rapaz. Fiquei simplesmente de boca aberta perante o que houvi, ao mesmo tempo apavorado!!! já tinha presenciado muitas cenas dos feiticeiros, cujas procedimentos fizeram-nos injectar muitas penicilinas naqueles que a eles recorriam, mas  este episódio com o G.E. ultrapassa as raias da psico.

Este episódio alertou-me para o quão fácil é manipular a mente das pessoas, seja por "feiticeiros", profissionais da psico, vendedores, POLÍTICOS e outros habilidosos.

A continuação desta estória se seguirá com o título "Enfermeiro contra Feiticeiro"

 

Um abraço do Carvalho

 

publicado por paragemleste às 20:39
sinto-me:

04
Abr 09

Esqueci o primeiro dia no segundo, e deixei-me embalar naqueles poucos dias de Luanda.Foi um fartanso  de abacaxi, bananas, que no "Puto" era um luxo, as Canadá Dry`s, Cocas Cola e 7Ups que nunca tinha bebido até então.......enfim, foi um forróbódó!! tive a sorte de ter residentes amigos e familiares em Luanda que me permitiram conhecer um pouco esta pérola: barra do Cuanza, musseques da periferia onde uma familiar era professora, a ilha de Luanda onde o meu primo me "obrigou" a comer o melhor arroz de marisco, perdão, digo, marisco com arroz e outros gastronómicos pratos de fazer sonhar, os quais, para a minha anorética carteira era incompatível no "Puto".... que maravilha!!! que saudades do Versailhes, do Portugália e do tasco da porta verde, ao lado de uma casa de putas, junto à Mutamba, onde comi os mais deliciosos chocos com tinta, que até Zeus se lambia!. Era bom, e o que é bom acaba depressa, e quando me dou conta da situação estava metido num machimbombo (autocarro)  desconfortável para uma viagem de quase um dia até Nova Lisboa, hoje Huambo, onde se pernoitou como se pode. No dia seguinte, as "bestas" eram carregadas como gado nas carruagens do comboio que nos levou até ao Luso; ò minha gente! foram 3 alucinantes dias, e já a ração de combate!? era uma composição com muitas carruagens, completamente cheia de juventude que nos levava a um destino de incertezas; se me lembro, da CC3485 eramos mais ou menos 150 homens e  zero mulheres e chegamos ao destino cheios de comichão, cuecas sem mudar à quatro dias, picadelas de insectos e um fedor ao suor que não havia Chanel  que o tirasse.

-Destino:SACASSANGE!? começou o pesadelo!!! arame farpado, barracos a servir de casernas, cheias de piolhos e percevejos, deplorável, um rego de água que não tinha bom aspecto, W.C. não existia, e se queríamos fazer uma real "lasquida" ou uma mijadela era num buraco na terra com um metro de profundidade, que além dos tradicionais cagalhões, havia imensos animaizinhos, todos "uns amores", que lá habitavam, sem pagar renda, assim como carrochos, lagartos, cobras, sapos e para não mencionar os insectos que mais pareciam ter saído dum filme do "Indiana Jones....etc.". e cuidado, quem lá fosse com uns copos a mais estava sujeito a ir  à merda,  uma vez que só havia duas tábuas com 30 cm. de largura por cima da fossa, e para arrear o calhau  era preciso ser equilibrista e não dar peidos nas alturas!!! queria dar conhecimento desta "misura", e como??

 Um dia aparece o capitão Perdigão na enfermaria a pedir comprimidos para a dores de dentes;-Meu capitão deixe-me ver o dente p.f. Pedi.

-Ò Carvalho, tu não és dentista!!

-Mas se o dente estiver furado eu posso tirar  a dor imediatamente; retorqui.

Acedeu. Está bem, mas vê lá o que fazes! e verifiquei.

-Meu capitão, está mesmo furado e vou-lhe tirar a dor. Antes de sair da enfermaria não sentirá dor nenhuma.

 Coloquei um anestésico próprio, e para passar o tempo a fazer efeito aproveitei para lhe falar da fossa "cagadoira"; disse ele:-Se os outros suportaram nós aguentamos, no entanto vou ver essa situação. Passado alguns minutos perguntei:-então meu capitão, tem dores? não Carvalho a dor desapareceu, mesmo assim dá-me uns comprimidos para prevenir.

Passado alguns dias, vem o Diniz (saudoso) ter comigo;-Carvalho, o capitão disse para se deitar cal na fossa.Meu espanto, convenci!! Os rapazes já podiam ir fazer a sua divinal cagadela sem serem picados no cu pelos mosquitos e outros aviadores.

Este foi mais um episódio que o vosso enferm.Carvalho presenciou, e desculpem-me as incorreções linguisticas, pois nunca fui bom a português nem tenho veia de escritor ou contador de estórias. Um abraço, continuarei a contar aquilo que vi.

publicado por paragemleste às 18:21
sinto-me: ok

30
Mar 09

 

 

 

 

Quando cheguei a esta maravilhosa cidade em 05/02/72, pelas 9,00 horas, mais ou menos, foram as palavras que me sairam da boca;"BOM DIA LUANDA", longe de pensar que haveria anos depois um "Bom Dia Saigão" que adorei, principalmente pela canção de Louis Armstrong "WHAT A WONDERFUL WORLD". Naquela manhã aquela terra marcou-me logo que saímos do aeroporto e entramos nos camiões, como bestas, para nos levar ao campo do Grafanil, uma área militar onde se concentrava quase todos os militares que seriam despachados como carne para canhão para diversos pontos desta Angola maravilhosa. Nunca esqueço aquela terra quente, avermelhada, o sol tropical, aquele zumbido duns insectos que nunca tinha ouvido até então, a azáfama de uma grande metrópole e que logo entendi porque eramos do "Puto". Fiquei entusiasmado com esta entrada em Luanda, e decepcionado com a entrada no Grafanil; veio-me à memória algumas passagens do livro "A Promessa" de Roman Gary; fez-me ver que entravamos num armazem de "produto para a guerra". Era chocante as condições das enormes tendas, onde se dormia no chão, por vezes não havia água para tomar banho, nos WC era quase impossível  fazer as necessidades, tamanho era o amontoado de merda por todos os lados. Apesar das vicissitudes deste primeiro dia, após arrumar-mos a mala  com nossos parcos haveres, e sempre com receio de ser-mos roubados, o que era a coisa mais fácil do mundo, o que mais me chocou foi quando fui para a baixa de Luanda, no largo da Mutamba onde depois de ter jantado no restaurante "O Minhoto", perguntei a um "homem branco" como eu" onde ficava o bairro Dr. Silva Tavares, lá para os lados da Cuca; respondeu-me essa besta em tom de desprezo e malcriado:-Vai-te foder militar!!achas-me com cara de polícia?ide p'ro Puto e deixai-nos em paz!?!? Fiquei de rastos.Ia a passar um taxi e chamei. Contei ao taxista o que se tinha passado, e ele que era ex-militar e optou por ficar em Luanda disse-me que não esperasse ajuda dos brancos residentes  à anos, pois já tinha passado pelo mesmo. Conclusão deste primeiro dia: este taxista, que era natural de Viseu, pagou-me uma cerveja, levou-me ao destino, desejou-me muita sorte e não me cobrou nada! Bem haja este homem que compreendia os motivos fúteis de estar-mos naquela terra. Este foi um dos episódios, apesar de triste, que passei no primeiro dia na bonita Luanda e que apenas serve para reflecção. Mesmo assim, Bons Dias Luanda!

publicado por paragemleste às 23:46
sinto-me: o.k.

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